Imagens para ver e nunca esquecer

Osmundo Oliveira Teixeira Júnior
Nasceu em 1954, na cidade de Itabuna – Bahia – Brasil

É impossível ver uma escultura realizada por Osmundo Teixeira e não ficar encantado. O artista oferece uma imagem que acreditamos estar em sonho, tal a delicadeza, o apuro técnico e as características só encontradas em obras de grandes mestres.

Sua obra é inconfundível. Possui características tão próprias que o reconhecimento é imediato. Não importa a cena construída, sua maneira de tratar a argila, material que utiliza para se expressar, é única e o seu preciosismo e de fazer acelerar a respiração do espectador.

Embora exerça o domínio de outras tantas técnicas como o desenho, a pintura e a gravura, frutos de aprendizado durante o curso de graduação feito na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, foi no manejo do barro que o artista encontrou seu maior interesse. Para aperfeiçoar a sua intimidade com a cerâmica, freqüentou o atelier do ceramista alemão, radicado na Bahia, Udo Knoff (1912-1994) e estudou na Fundação Gulbenkian com estágio na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, em Lisboa, Portugal, além muitos outros cursos no Brasil e no Exterior.

Mais conhecido como escultor de santos católicos, Osmundo vai muito além e transforma o barro em qualquer objeto ou figura que a sua imaginação possa   idealizar, com exímia maestria.

Mas, sem dúvidas, os santos católicos fascinam a sua criatividade. Ele nunca se limita, apenas, a construir a imagem habilmente, vai muito além. Para esculpir um santo, ele obedece a todo um ritual de pesquisa. Procura saber tudo sobre aquele personagem, sobre a vida, sobre a morte, sobre o que já feito em torno da sua imagem para depois criar a sua versão. Quando começa a trabalhar o barro, a iconografia da imagem já está toda gravada em sua memória.

As imagens criadas por Osmundo não obedecem às formas regulares e serenas, herdadas do classicismo greco-romano, elas são movimentadas e movidas por forte conteúdo emocional, daí a sua ligação imediata com o estilo barroco. Um estilo que ainda hoje domina a imaginação e o jeito de vida baiano, embora tenha surgido na Itália no século XVI e chegado por aqui na segunda metade do século XVIII.

Creio que tentar ligar a obra de Osmundo Teixeira diretamente ao barroco é uma atitude muito simplista. Ele detém informações, experiência e sabedoria para transcender a influência direta. No contexto atual sua produção é única e sem comparações. Impossível de ser vista e esquecida.

Justino Marinho