Teatralizações e Releituras

Osmundo Oliveira Teixeira Júnior
Nasceu em 1954, na cidade de Itabuna – Bahia – Brasil

E o Criador deu forma ao homem do pó do solo, inspirou-lhe no rosto o fôlego da vida e o tornou ser vivente. Numa modelagem divina Osmundo Teixeira dá ao barro da terra, no gesto engenhoso, imagens, conjunto delas, frontões, retábulos, oratórios, tanto em pequenas e médias dimensões como em monumentalidade. Exemplos desta grandeza são trabalhos seus para o Escritório da Ceplac em Ilhéus, um São Jorge, painel de 78 metros quadrados, presépios com 25 figuras para o Desembanco em Salvador e ainda 15 peças para o Hospital Aliança também em Salvador. Em 1978 concluiu o Curso de Artes Plásticas na Universidade Federal da Bahia, aperfeiçoando-se na fundação Gulbenkiam, com estágio na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, em Lisboa – Portugal.

Surgindo em Roma, cultivado com esmero na Península Ibérica, o barroco atravessou o atlântico nas tantas caravelas que vinham ao Brasil a partir de 1.500, trazido pelos colonizadores. Aqui se abrasileirou, tornou-se prolífero na Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Barroco brasileiro foi a manifestação inicial, nosso núcleo de formação de um patrimônio artístico e histórico, que deu uma identidade particular ao país. Assim tornou-se de grande significado na cultura universal, testemunho eloquente da criatividade brasileira.

Osmundo Teixeira é filho dramático do barroco. Traz novas proposições e novos cenários ao que antes era dado como definitivo. Sua contribuição se estabelece num neobarroquismo, na teatralização das releituras, nos acréscimos propositalmente beirando o desmedido. São coreografias compostas de encadeamento de movimentos, gestos, passos, torções, expressões faciais e corpóreas, e profunda embriaguez de panejamentos.

As figuras sacras ou não, tem meticuloso plano arquitetônico. Anatomia baseada em rigoroso estudo de proporções.

Não há no trabalho de Osmundo Teixeira um sentimento intrínseco de religiosidade, mais transfigurações de sentido estético em renovadas narrativas visuais.

Osmundo Teixeira zela pelo bem feito, artesania impecável e constante desafio à gravidade. Cuida das minúcias, detalhes que por vezes passam despercebidos, mas de vital importância para ele, conhecedor de seu ofício. Toda sua imaginária é de poderosa sedução, estabelece imediata empatia com o público, causando em todos o encantatório, uma energia vibrante que emociona nosso olhar.

César Romero
ABCA – AICA
Salvador primavera de 2011